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HOJE! MUNIZ SODRÉ SOBRE OS 200 anos da B.N.

Hoje, 7/4 a TV Brasil convidou o presidente da Biblioteca Nacional, Muniz Sodré para falar sobre o Bicentenário da Biblioteca Nacional e os 100 anos da construção da Cinelândia no Programa "3 a 1" às 23hs (programa como o "Roda Viva" mas um pouco menor) A BIBOKA VAI GRAVAR e colocar a disposição de todos

      Segundo a TV Brasil Muniz Sodré também comentará os novos tipos de leitura de hoje, que, segundo ele, é "plural e múltipla". E que acredita que temos que ultrapassar a barreira do livro como suporte intelectual. Para ele o livro não é mais central e simbólica, já que tão importante quanto ler o livro, é ler jornal, ler criticamente a televisão e saber ler a internet, que é anárquica e muito mais plural. porisso, Sodré falará também das Mediatecas que a Biblioteca Nacional está criando. “Os saberes hoje são móveis, circulam”, e ainda, “é preciso nos descolonizarmos educacionalmente”, disse ele.


Durante a entrevista conduzida aos jornalistas Luiz Carlos Azedo, Victor Iório e Alberto Dines, o professor Muniz Sodré aborda ainda a recuperação institucional da Biblioteca, a qualificação dos servidores e o desenvolvimento de parcerias em projetos de restauração e preservação de acervo. Comentou também a reativação do Proler, o Programa Nacional de Incentivo à Leitura com a criação de comitês em todo o país, e a formação de bibliotecas públicas..

Se voce quiser uma cópia e não tiver como gravar NÃO DEIXE DE NOS PROCURAR! VALE A PENA!!!


DICA DE AULA: CASO NARDONI LEMBRA JULGAMENTOS ANTIGOS E MEDIEVAIS

    A paranóia criada pela imprensa brasileira no caso Nardoni, foi debatida hoje pelo Observatório da Imprensa da forma bastante interessante e aprofundada. E nós temos a cópia caso alguem precise para aulas.  Essa paranóia midiática – não existe termo melhor que esse - TEM precedentes SIM. Eles repetiram, ao menos no clima, julgamentos que sabemos como foram detalhados pelos historiadores na Grécia e Roma antigas e na Era Medieval (ou pelo menos a interpretação deles) por pura e simples competição entre eles SEM PENSAR UM MINIMO na imensa neurose popular que irresponsavelmente criaram. Uma pista minuscula de como foi criada a paranóia nazista por exemplo.

Por isso, através desses shows e ENORME GASTAÇÂO DE TEMPO da midia, pra tentar segurar audiência (que aliás é incapaz de fundamenta-se em coisa mais real do que os míseros e NADA representativos dados do Ibope e não na “verdade”) é possível demonstrar algumas diferenças entre Antiguidade, Medieval e a atual era Moderna (e a enorme era entre essas duas últimas, que nunca foi reconhecida). Nós da Biboka, temos gravados vários momentos desse show.E também o debate do Observatório da Imprensa sobre o caso

Impossível não se referir ou negar a existência de uma “sociedade do espetáculo” à la Guy Debord. Só que nossa sociedade é muito mais complexa, ampla e profunda do que o simples desenvolvimento das teorias marxistas elaborado por Debord. Uma teoria não descartável, mas que hoje tornou-se uma camisa de força que nada acrescenta ao conhecimento humano. (Por exemplo: a gigantesca militancia pela condenação do casal Nardoni seria fruto da “alienação imposta pela burguesia”??? Como é possível afirmar isso hoje em que essas 3 palavras não significam a mesma coisa que há 60 anos anos atras?)
          As descrições e interpretações de historiadores muitos famosos sobre os julgamentos na História já é uma bela tradição nesse campo de estudo. A começar mesmo pelos julgamentos do Antigo Oriente, descritos em pedras, papiros e táboas, como na Biblia, de grandes lideres como Buda, Sócrates e de Cristo, e as descrições de Tulcidides, dos julgamentos da Grecia Antiga. Ou os julgamentos de ROMA que conhecemos e que são a base de nossa justiça atual. (As diferenças entre os julgamentos de generais, senadores e funcionários de elite corruptos e os de escravos, soldados, gladiadores e estrangeiros estão vastamente registradas nas Actas e extensos registros da justiça romana.)
          Claro que nem todos envolveram vasto público, mas grande parte dos mais famosos e de gente com certa autoridade, arrastava enorme quantidade de pessoas que geralmente eram consultadas ou solicitados a interferir nas decisões. Só a própria presença do enorme público já interferia totalmente nas condenações.
          Mas é na era Medieval que há uma enorme fartura de descrições de julgamentos. Sobretudo os julgamentos sob a égide da Igreja que herdou o Imperio e todos os seus estados aliados, como o de Carlos Magno, Ricardo III e outros. Grande parte deles eram de judeus ou “bárbaros”. E isso sem falar em todos os julgamentos da inquisição, largamente estudados e divulgados por historiadores e pela midia. Basta ver os principais livros de Marc Bloch, Lucien Febvre, Jacques Le Goff, Fernand Braudel, Carlo Ginzburg e centenas de outros.



VIGIAR E PUNIR e a “Sociedade Disciplinar”


          Mas é com Michel Foucault que a compreensão dos julgamentos e relações de poder na História é levada ao mais profundo detalhamento e discussão filosófica. E o que melhor sintetiza a sociedade moderna atual. Sobretudo em “Vigiar e Punir”. Lendo as diversas cenas descritas e comentadas nesse livro (sobretudo aquelas do final do livro, quando ele já trata do “nosso” sistema prisional, criado ao longo do Século XIX), nos lembramos diretamente desse julgamento dos Nardoni e compreendemos em detalhes porque milhares de pessoas abandonaram suas vidas para morar (por 5 dias) ao redor do Fórum de Santana. (Outro livro de Foucault que lembra muito esse caso é o livro sobre o parricida “Eu, Pierre Riviére, que degolei minha mãe, meu irmão...” etc.)
         Se até o início do Seculo XX poderíamos falar numa certa “autonomia” ou auto preservação das classes mais baixas – que impunham seus valores culturais, religiosos e étnicos locais em resistência às imposições de nobres e burgueses – como o caso de judeus, ciganos, camponeses, etc, – da guerra fria até hoje da-se um “ascenso” ou uma construção crescente de uma sociedade fundada nos valores liberais, burgueses, individualistas e competitivos, sobretudo pelas classes mais baixas e por vontade consciente dos “pobres”. E isso não só no Ocidente modernizado, mas sobretudo nas áreas mais pobres e miseráveis do mundo – como na America e África.
         Hoje, nessa sociedade em que vivemos, há uma luta militante, levada justamente pelos mais pobres, por uma sociedade que garanta e fortaleça a individualidade quase absoluta, a crescente competição entre as pessoas (como se fosse uma coisa boa), a liberdade total de consumo, de imprensa e do mercado de trabalho, a diferença de qualidade de vida entre os “mais” e os “menos capazes”, a proliferação e a “beleza” de comportamentos violentos, mal educados, agressivos e o orgulho pelo ódio e pelo ataque à categorias identitárias já constantemente estigmatizados como doentes mentais, idosos, mendigos, cadeirantes, homossexuais, etc. E isso tudo, em detrimento de uma sociedade solidária, de valorização da Cultura em seus diferentes tipos, características e qualidades, e de qualquer “melhoramento” das condições sociais que implique em responsabilidades e obrigações (sejam pessoais ou coletivas). (Claaaro que há muitas pessoas que são excessões. Mas é a mais absoluta minoria).
          Poderíamos até dizer que foram as industrias culturais “burguesas” as grandes responsáveis por essa “alienação” ou melhor dizendo: pela formação de uma sociedade de massas” alienadas transformadas em “exercitos de trabalhadores” lutando pela manutenção e fortalecimento de uma sociedade “burguesa” que valoriza e premia as elites mais ricas contra sua própria construção.
        Mas além de podermos demonstrar inúmeros comportamentos e movimentos não organizados contra esse tipo de sociedade, defendidos por empresários, trabalhadores, liberais e praticamente toda a mídia e a maior parte da população, e apontarmos inúmeros movimentos que contrariam tal concepção é nosso dever questionar: a sociedade é realmente assim? Uma disciplinarização determinada de cima para baixo?
         Ou ao contrario, a sociedade moderna é uma sociedade de absoluta e cada vez maior vigilância e disciplinarização militante de todos contra todos – sobretudo dos mais pobres contra os outros pobres, fortalecendo os “melhores” - em milhares de formas de “votos” - e de uma dura guerra surda não só pela punição, mas também pela expulsão, exclusão, tortura, destruição, e se for possível explosão e aniquilamento do seu “igual” do seu “irmão” que, muitas vezes sem querer, por puro descuido, DEIXOU de obedecer às normas de comportamento (que antigamente eram os comportamentos da antiga classe burguesa)?
Tipo: Não acredita em Deus? É “pessimista”? Não tomou banho? É chato? Não usou calcinha ou sutiã? Andou descalço? Olhou de determinada forma? Não falou bom dia? Fica suado? Tem depressão? Então meu filho. Infelizmente foda-se e DESAPAREÇA!

MAS PORQUE ESSE CASO????


          É nesse tipo de sociedade ultraviolenta que devemos entender o Caso Nardoni. Mas porque esse explodiu na mídia em detrimento, por exemplo, do assassinato de CENTENAS de mendigos em São Paulo?

         Centenas de explicações diferentes já foram dadas para tal explosão (como foram vários outros casos de assassinatos de crianças como Carlinhos, João Helio, a menina Madeleine, e outros como o de Daniela Perez, da adolescente Eloá , do jornalista Pimenta Neves, etc.) Na mesma compreensão marxista, a maioria das pessoas atribui a explosão desse caso ao fato do casal Nardoni ser “rico” (embora estejam bem longe de qualquer classe A ou “dominante”). Outros atribuem essa explosão à extrema violência com que Alexandre Nardoni matou sua filha (embora é essencial concordar que as provas periciais não conseguiram chegar a um autor do crime e só apontaram indícios, alguns fortes, da culpa do casal)
         Mas as verdadeiras causas dessa explosão na mídia até agora não foram apontadas por ninguém. Ao meu ver é claro que, de um lado, tal explosão foi provocada, sem querer ou consciência, pelo próprio casal Nardoni ao não assumir a autoria do crime e a reagir e lutar desesperadamente contra a pré condenação deles pela perícia, pela midia e povo. Se Alexandre tivesse assumido o crime, ele praticamente DESAPARECERIA da mídia e talvez pegasse menos anos.
         De outro, ela foi determinada principalmente pela mídia que, em conjunto, BOMBARDEOU e MASSACROU a população com ultra repetições de repetições de edições e re-edições de imagens, excesso de bla bla bla e de informações sempre repetidas à la propaganda nazista. UNICA E EXCLUSIVAMENTE PELA CORRIDA DE NUMEROS DO IBOPE!!!
          Nossa midia demonstra assim um baixíssimo nível de responsabilidade com o bem estar social e em construir um mundo mais solidário e – muito mais do que a propria sociedade, fortalece a concepção altamente discriminatória e violenta, do “Deus deu a vida pra cada um cuidar da sua” ou do “cada um no seu quadrado” e todos contra todos”.
          Uma sociedade mais feliz e solidária só é possivel SEM a acirradíssima competição que vivemos, com a ultra premiação de alguns e a imposição de um violento desprezo e exclusão sobre pessoas que lutam - e muito – por seu espaço e pela melhoria de sua familia e seu cotidiano

AH! E CUIDADO COM CARA DE DOIDÃO HEIM!!!!

GRANDE PERDA ÍSTVÁN JANCSO

 István Jancsó, coordenador-geral do Projeto Brasiliana USP, morreu na madrugada de ontem 23, aos 71 anos, de uma complicação renal. Jancsó havia sido internado poucos dias antes da morte de Mindlin, no último dia 28 de fevereiro. O corpo foi cremado nesta tarde no Crematório da Vila Alpina, em São Paulo. Ístvan nasceu na Hungria onde viveu a Segunda guerra na infância e veio com os pais para o Brasil em 1948 como refugiados. Apos concluir os estudos, foi comissário de bordo da Real Aerovias entre 1958-59. Aqui entrou na História da USP em 1960 e começou a trabalhar como professor. E por ser marxista, foi convidado pelo lendário professor França a ser professor da FFLC em 1964 e depois na UFBA em Salvador.Militou contra a Ditadura, foi preso, torturado e exilado na França, e orientado por Pierre Villar foi professor da Universidade de Nantes, voltou ao Brasil em 1972 e continuou a luta contra a Ditadura e por isso acabou perdendo o Doutorado.
 
Na USP às vésperas da aposentadoria, István decidiu ser professor titular do Instituto de Estudos Brasileiros,depois de ser diretor geral do orgão. Foi um dos grandes mentores da Brasiliana, responsável por levar o projeto - que inclui a construção de uma biblioteca no câmpus e a digitalização dos 40 mil volumes que integravam a coleção de Mindlin - até a universidade. Mas seu grande projeto de pesquisa veio desde 2004, sobre a problemática das estruturas nacionais dentro do projeto A Formação do Estado e da Nação Brasileiros (1780-1850), com apoio da Fapesp.

O Ministério da Cultura divulgou nota na qual Juca Ferreira lamenta a morte do historiador, destacando seu trabalho de "tornar um acervo de excelência disponível para toda a população". Juca ressaltou ainda o esforço de Istvan em estimular redes de pesquisa e a criação de um modelo brasileiro de compartilhamento de documento", descrevendo-o como "um intelectual engajado na decifração de um país que para ele era um ‘enigma’ humano e histórico".

Istvan foi meu chefe e para mim pelo menos, elogiou várias vezes meu trabalho. No entanto não atendeu meus pedidos de ajuda e emprego e isso piorou muito minha depressão. Não sei qual a opinião que tinha de mim. Mas creio que por ser marxista, não me levava a serio. A criação da Biblioteca Mindlin de Guita e Jose Mindlin foi TOTALMENTE baseada no projeto engavetado pela USP - que ela tinha obrigação por contrato - de criação do Gabinete de Leitura Lêda e José Honório Rodrigues.  István decidiu ESQUECER essa obrigação que a USP e o IEB assumiu e passou o projeto para Mindlin que , afinal , além da Biblioteca ser maior, iria entrar com dinheiro e muito apoio governamental.

A Biblioteca de José Honorio Rodrigues foi ABANDONADA assim como eu e todo o enorme trabalho que tive... O proprio István prometeu para Leda Boechat Rodrigues que iria me arrumar uma oportunidade no IEB em 2005.... E ficou por isso... Eu ERREI em não procurá-lo mais e não insistir mais  com ele.  Mas devido às ABSURDAS mentiras que funcionarias do IEB inventaram sobre mim,  acho que não iria conseguir nada mesmo...

Agora ta tudo na mão do Pedro Puntoni que todos sabem que tem uma concepção pobre e ESTREITÉRRIMA de História. Imagine, toda a Biblioteca de Mindlin agora toda nas mãos dos pseudo-marxistas elitistas da História USP.... Infelismente. Obra de Ìstván, inclusive...  

BEM VINDO À "ERA DAS MULHERES"!

Todo o pouco que a midia apresentou
sobre as mulheres
e tudo o que a Biboka tem em acervo.

Hoje 12.3 a TV Cultura apresenta um especial sobre Dercy Gonçalves às 20h e o programa “Provocações” entrevista a atriz Marisa Orth às 22h. E a TV Brasil canal 62 reapresenta o filme “Amélia”, de Ana Carolina Soares, sobre uma das visitas da cantora francesa Sarah Bernardt ao Rio de Janeiro no Sec XIX as 22:30h. O filme é muito interessante porque, além de falar de um dos maiores sucessos femininos do Século XIX, demonstra a vida das mulheres mais pobres do Rio de Janeiro do Século XIX

A parca atenção dada pela midia ao significado histórico do Dia da Mulher demonstra muito mais do que simples “alienação” , “machismo” e meras acusações antiquadas. Se ao menos a mídia tivesse feito longas reportagens sobre “Como presentear ou tratar a mulher em seu dia” – como é tipico do atual jornalismo, incluindo os estatais - poderiamos ao menos se falar em “alienação” etc. Mas nem foi o caso. Tal “miséria” seria resultado de “preguiça mental” e teórica mesmo (de jornalistas e produtores culturais) ou consequência da altíssima e cada vez maior “bu(rr)ocratização das mídias e da industria cultural? Automatizando um sistema de fechamento de pautas e planejamentos a partir do mais “normal” rápido e simples possivel ?


Ao meu ver tal “preguiça” em apresentar alguma coisa mais elaborada e educativa é uma clara resultante dessa lamentável e estúpida concepção de eficiência, baseada na economia de custos e tempo, na reciclagem e no reaproveitamento (que em mídia nada mais é que repetição ou edição com cortes). Sempre aproveitando o que já tem. Nada de “passar o tempo” pensando ou “sendo negativo” (como todos dizem).


Só os jornais apresentaram minúsculas reflexões históricas mais profundas, praticamente sem nenhum destaque (como veremos a frente). Rádios e TV´s preferiram apresentar programas “Especiais” e entrevistas com “históricas” mulheres carismáticas que conseguiram “surfar” durante a complicada “Era dos Homens” rsrsrs. Mas sempre (re)aproveitando o “acervo”. Ah! E mesmo assim só as estatais. As privadas só ficaram mesmo nos jornais: a “cobertura” das “merrecas” comemorações do dia e a repetição e edição (corte) das matérias das agências internacionais.


Diante de quase só merreca, só as estatais (re)aproveitaram melhor e fizeram algo mais digno, embora também muito pouco pra um “Centenario” (no caso, centenario da proposta de criação do “Dia Internacional das Mulheres” por uma líder de um congresso de mulheres comunistas e não de um incêndio com grevistas–VEJA MATÉRIA ABAIXO/ANTERIOR).


A TV Cultura é que (re)apresentou mais: No dia 8 mesmo, foi ao ar o Roda Viva entrevistando a atriz Eva Wilma que contou um pouco da rica história da industria cultural no país (e que foi reapresentado pela TV Brasil). Além dos especiais com Elis Regina, Elizeth Cardoso, Niède Guidon, Cassia Eller (sabado 13), a série “Brasileiros e Brasileiras” com Ruth Escobar e Dercy Gonçalves; uma série das “Provocações” do Abujanra, com Luiza Erundina (5/3), Marisa Orth (sexta 12/3), e na próxima semana com a cinéfila Alessandra Meleiro (19/3), e com a fotógrafa Maureen Bisilliat e sua filha Sophia Bisilliat (26/3).


Mas o melhor dessa (re)apresentação foram os documentários “O Piauí de Niede Guidon” sobre a famosa arqueóloga, conta sua história com a luta pela criação do Parque Nacional da Serra da Capivara e da arqueologia no mundo. Logo depois a TV Cultura exibe ao menos 1 episódio da série “Sexo Forte”, organizada pela TVE inglesa (“Television Trust for the Environment”) com histórias de mulheres que, com trabalho e idéias, geram algum progresso social. Mas o mais interessante é o inédito especial Cultura “Julieta é Bárbara”, que contou a história da poetisa e pintora paulista Julieta Bárbara, que viveu momentos históricos ao lado de Oswald de Andrade e Mário Schenberg.


Hoje, sexta (12/3) será reapresentada a biografia “Dercy por Dercy, e Por Alguns Amigos”, às 20h e a entrevista do “Provocações” com Marisa Orth, às 22h. E no sabado às 20hs a edição do “especial Cássia Eller”. Nas outras duas sextas feiras (19 e 26/3), às 22ha, teremos o “Provocações”, com Alessandra Meleiro e com Maureen e Sophia Bisilliat.


Também a TV Brasil apresentou alguns especiais, como o programa “Mama África” com um documentário sobre as mulheres da Mauritânia falando sobre suas relações com os homens, uma entrevista com a economista petista Conceição Tavares , e a reapresentação do filme “Amélia”, de Ana Carolina Soares, sobre uma das visitas da cantora francesa Sarah Bernardt ao Rio de Janeiro no Sec XIX. O filme é muito interessante porque, além de falar de um dos maiores sucessos femininos do Século XIX, demonstra a vida das mulheres mais pobres do Rio de Janeiro do Século XIX

SÓ OS JORNAIS (e olhe lá!)


As outras TV´s limitaram-se a apresentar algumas parcas reportagens nos jornais sobre a condição da mulher e alguns “protestos” no mundo compradas de agências internacionais, “freelas” ou recebidas já prontas de Assessorias.E das rádios só as radios Nova Brasil e Cultura 1 apresentaram um programa especial dedicado ao Dia Internacional da Mulher, além de diversas rádios regionais como a Nativa FM de Imperatriz e outras.


A Folha de São Paulo apresentou um reportagens e entrevistas assim como o Estadão. O Suplemento Feminino do Estadão ao menos apresentou uma edição especial sobre o tema com reportagens sobre as missionárias do governo paulista que visitam as casas de famílias mais carentes para ouvi-las, orientar e tentar discipliná-las, com entrevistas com vários homens famosos e de sucesso sobre o que eles acham das mulheres hoje, e uma reportagem sobre os papeis de mulheres e homens dentro de casa hoje. O que salvou mesmo fou um ótimo texto da Mary Del Priori falando que após mais de um século a mulher continua submissa e que a submissão atual é ao modelo de beleza e juventude imposto pela mídia. E pelos homens também segundo ela que desejam isso (com o que não concordo, porque a maioria despreza totalmente ao que eles dizem.


TUDO O QUE A BIBOKA TEM: (sobre mulheres)


Além dos programas e filmes colocados acima, temos disponível para voce que quer docs sobre as lutas femininas:


-Varios documentários de duas séries sobre mulheres: “Sexo Forte” e “Mulheres: da retórica à realidade”, da UNESCO. Ambas já passadas na TV Cultura. Da serie “Mulheres: da retórica à realidade” temos os docs: “Caribe: mulheres no topo”, mulheres da TV Áustria, das ilhas Fiji, etc. E da série “Sexo Forte”, temos pequenos docs sobre as situações das mulheres na Bósnia, Lituânia, Casaquistão, Quênia, Gana, Bangladesh, Jamaica, Macedonia, Filipinas, Mexico, Paquistão, India, Afeganistãoa, França, Japão, Italia e Brasil;


- Temos os documentários “Raimunda a Quebradeira” de Marcelo Silva, sobre a histórica líder das quebradeiras de coco do “Bico do Papagaio” no sul do Pará; o doc “Mulheres em Movimento” feito por Maria Maia para a TV Senado. ; o doc biográfico sobre as lideres ambientalistas Marina Silva, Judith Cortesão e a gaucha Thais Corral; sobre as intelectuais Ruth Cardoso; Zelia Gattai, sobre Dona Canô, mãe de Caetano e Maria Bethânia, e lider comunitaria de Santo Amaro –BA;


- Temos os documentarios mexicanos “Historia de las mujeres en LatinoAmerica” apresen tada por Jaime Ginzburg; e “Mujeres del Mexico”; o documentário “Damas de ferro na Libéria” da serie “Porque Democracia” que explica porque as mulheres lideram a política nesse único pais africano, com uma presidente mulher; o Roda Viva especial com a escritora africana e muculmana Ayann Irsi Ali que desafiou as duras leis muçulmanas e hoje é refugiada nos EUA;


- Também temos duas conferências ou aulas da CPFL Cultura com especialistas: uma de Maria Lygia Quartim de Morais (“Mulheres antes e depois de 1968”) e outra da prof Maria Filomena Gregory (“Mulheres no Sex Shop”),


- Várias reportagens sobre a condição da mulher negra - uma entrevista com Leci Brandão sobre mulheres negras no Brasil, e o filme “Antônia” de Tata Amaral sobre a vida de 4 jovens negras faveladas que tentam a carreira artística.


- documentários feito sobre mulheres só conhecidas localmente como Dona Nenê(“No passo da véia” muito bom!), Julia Mendonça(100 anos), professora Saturnina (105anos), a ajornaleira Cleide Santos, Mamae Noel, professora Solange, Tatiana funkeira, e muitas outras


- Além de varias reportagens sobre mulheres islâmicas, sobre a Lei islâmica da “Sharia”, mulheres chinesas, sobre a mulher hoje no Brasil, sobre a questão do aborto, sobre Irmã Dulce, mulheres taxistas,.. sobre o assassinato de Benazir Buttho, com uma entrevista com a Maria Aparecida de Aquino sobre sua história; sobre um homem que tem 11 esposas (de vários países) e 80 filhos nos Emirados Àrabes Unidos;


- E uma série de reportagens sobre mulheres artistas famosas como Tina Turner, Elizeth Cardoso, Dercy Gonçalves, Cris Vianna, Dona Canô, Cassia Eller, a atriz e jornalista Cidinha Campos ja falecida, e outras “Grandes Cantoras Brasileiras”, etc.


A Biboka possui INUMEROS filmes, livros, fotos, textos e músicas (como as marchinhas de carvaval desde o “Abre alas” de Chiquinha Gonzaga de 1890 ao fim do Século XX várias racistas e machistas) sobre a história das conquistas femininas em mais de um século. Claro que o maior material, é sobre as mulheres de hoje e suas condições – que é só o que a mídia apresenta. Temos muita coisa principalmente sobre as mulheres africanas, asiáticas e do oriente médio. Veja alguns exemplos na materia ACIMA.

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Arney Barcelos (histusp@gmail.com )

O “MITO DAS MULHERES QUEIMADAS” e a REVOLUÇÃO FEMININA:

a segunda maior revolução contemporânea
e a mais desprezada.

Quase ninguém sabe. Nem os produtores culturais e líderes “criticos” (e/ou esquerdistas) nem os fracos comunicadores e jornalistas, menos ainda: A história da fixação do dia internacional da mulher é, em si, uma “História” interessantíssima e essencial e que pode originar dezenas de debates, livros e filmes por dois motivos: primeiro, a polêmica confusão em torno de seus mitos de origem: (as “mulheres queimadas” em New York e o início da Revolução Russa numa greve de mulheres em 8.3.1917), resultado de uma acirrada disputa da guerra fria entre EUA e URSS; E depois porque a a história da invenção e oficialização desse dia, sintetiza as principais e cruciais transformações mundiais desde a era moderna até a nossa “ultramodernidade”. (Sobretudo, a mudança de uma “sociedade de classes” para uma “sociedade de identidades” Ou que centraliza os principais eventos políticos, econômicos e sociais da realidade.)

Mas porque o desprezo e o “silêncio” sobre isso? Porque no dito “Centenario do Dia da Mulher” nenhuma TV, jornal, rádio ou internet nada publicou sobre isso? Seria por causa da péssima (in) formação dos jornalistas, professores, cineastas e produtores culturais que determinam as agendas educativas OU os “interesses” de uma tentativa nostálgica de se recriar uma “Guerra Fria” cultural pra ficar mais fácil e “gostoso” o mundo de hoje? Preguiça cultaural ou um pouco dos dois talvez?

Foi até bom eu ter me atrasado, devido a complicações no meu computador. Assim posso criticar melhor o enorme desprezo e limitações da mídia e formadores culturais, pela gigantesca transformação do papel da mulher ocidental entre os séculos XIX e XXI.

Pra mim, as enormes conquistas e a transformação do papel da mulher no Ocidente foi a maior transformação histórica, em todos os sentidos, dos ultimos séculos. Claro, não resta dúvida que a maior “revolução” foi a Tecnológica. Mas e se compararmos às transformações do “capitalismo” por exemplo? Em se tratando de Humanos, é bem mais significativa que as transformações econômicas. Aliás elas também incluídas na “ascensão” e na “mercantilização” feminina.
MUITO MAIS QUE 100 ANOS
(a polêmica “confusão”(?) do dia 8.3)

Os historiadores já demonstraram que a luta das mulheres por seus direitos tem muito mais que 200 anos. Mas o primeiro fato relacionado ao “8 de Março” foi uma greve de costureiras de New York em 1857 (aliás já havia tido outra em 1785 não tenho certeza da data). Mas as greves e protestos foram aumentando como todos sabemos. E em 1908, segundo a Eva Blay (veja http://www.piratininga.org.br/artigos/2004/01/blay-8demarco.html), 15.000 mulheres de N.Y. exigiram a redução de horário, melhores salários e direito ao voto. Esse movimento, liderado pelo extinto Partido Socialista da America conforme a Wikipedia, foi o primeiro a propor um “Dia da Mulher” que parou N.Y em 28 de fevereiro de 1909 e 1910.

E foi por causa desse “ascenso revolucionário” (sic) rsrs, que uma lider socialista alemã, Clara Zetkin, propôs a criação do “Dia Internacional da Mulher” durante a 1ª Conferência Internacional de Mulheres, em Copenhagen, dirigida pela Internacional Socialista (a primeira ainda, criada em 1848), sem propor nenhuma data especifica. Mas a Internacional tentou o dia 19 de Março de 1911 na Europa.

Só que 6 dias depois, (25.03.1911), em meio às fortes greves de N.Y., a estratégia de trancar as portas das fábricas apara impedir as greves resultou numa tragédia: o incêndio da fábrica Triangle Shirtswaist em que morreram a146 trabalhadores sendo 21 homens e quase todos judeus. Imagine o impacto disso sobre as lutas por direitos trabalhistas nos EUA nos anos seguintes? Para Eva Blay, é provável que a morte das trabalhadoras da Triangle se tenha incorporado ao imaginário coletivo como sendo o fato que deu origem ao Dia Internacional da Mulher.

Pois é. Então o 8 de março nasceu nos EUA? NÃÃÃÃOOO! Dizem os comunistas e os antigos soviéticos. Afinal o próprio Trotsky afirmou que a famosa “Revolução de Fevereiro” - isto é, o conjunto de ações estratégicas decididas apelos Bolcheviques para o dia 23 de fevereiro de 1917 – foi o estopim da “Revolução de Outubro”, que tomou o poder de 400 anos dos Romanov e instaurou a primeira “ditadura do proletariado”.

Só que, na época, a Russia não seguia o nosso calendário gregoriano e sim o “calendário juliano”( uma herança da igreja do Oriente) E nesse caléndário que tem mais dias, o 23 de fevereiro é O MESMO DIA 8 DE MARÇO NO OCIDENTE!!! (eu morri de rir quando soube) Trotsky escreveu: “Em 23 de fevereiro (ou 8 de março no nosso calendário) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”. [1]

Resumindo: Esse negócio de “Dia Internacional das Mulheres” era realmente “coisa de comunista” (e não capitalista, como muitos pseudo revolucionários dizem). Tanto nos EUA, como na Europa e na URSS. Com a burocratização da URSS, a comemoração da “heroica mulher trabalhadora” logo virou um dia para dar doces, flores e presentes. E nos EUA nem precisa dizer nada. Tanto lá como cá foi “incorporado pelo capitalismo” ou “alienado” como eles costumam dizer. Se no lado soviético o “Dia da Mulher” era até ridicularaizado, no Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920, mas acabou esquecido por causa das guerras “coisa de homem”.

Mas foi o movimento feminista dos EUA e França (consensualmente tido como o primeiro movimento político identitário, da atual “sociedade de identidades”) que, queimando soutiens nas mesmas NY e Paris , revitalizaram o Dia Internacional da Mulher de forma definitiva. A ponto de ser oficial na maioria dos países.

Não é um belo tema de curso? Que perpassa toda a TOTAL transformação do mundo dos miseráveis anos 1800 (quando as mulheres, além de totalmente subjugadas aos homens, eram torturadas, massacradas e violentadas no próprio trabalho de mais de 12 horas, famintas e com os filhos ao redor) aos nossos dias de Seculo XXI ? Hoje, além de serem os principais focos dos mercados Ocidentais, as mulheres vem tomando os lugares dos homens, tornando-se chefes de família, dirigindo os mercados e as grandes empresas e disputando, cada vez mais, o Poder em todo o Ocidente como (so nesse caso) a mídia cansa de demonstrar. Não é mais importante que a conquista da lua por exemplo?

Claaaaaro que tal curso (ou programa de TV, que não houve) não poderia falhar em esquecer aquilo que os comunistas chamam de “contradições”: a ainda alta violência contra as mulheres (sobretudo nas sociedades tradicionais de todo mundo, como as islâmicas), a absurda desproporção salarial, a segunda jornada de trabalho em casa enquanto homens descansam, a altíssima exploração sexual da mídia mundial (que por outro lado em poucos casos elevou muito o nivel de vida de muitas) e muito mais.

A Biboka possui INUMEROS filmes, livros, fotos, textos e músicas (como as marchinhas de carvaval desde o “Abre alas” de Chiquinha Gonzaga de 1890 ao fim do Século XX várias racistas e machistas) sobre a história das conquistas femininas em mais de um século. Claro que o maior material, é sobre as mulheres de hoje e suas condições – que é só o que a mídia apresenta. Temos muita coisa principalmente sobre as mulheres africanas, asiáticas e do oriente médio.

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Arney Barcelos (histusp@gmail.com )

FONTES:
BLAY, Eva: http://www.piratininga.org.br/artigos/2004/01/blay-8demarco.html
Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Internacional_da_Mulher
[1]A citação de TROTSKY é de Maíra Kubík Mano na revista Historia Viva deste mes: veja:http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/conquistas_na_luta_e_no_luto_3.html
LEGENDAS DAS FOTOS:
1 "Liberdade" de Delacroix
2 - O incêndio da fábrica Triangle Shirtwaist Company, em 25 de março de 1911,
3 - Na Alemanha, cartaz convoca para a marcha do Dia das Mulheres, em 8 de março de 1914 na Alemanha
4 - Cartaz soviético de 1932. Em vermelho, lê-se: "8 de março é o dia da rebelião das mulheres trabalhadoras contra a escravidão da cozinha." Em cinza: "Diga NÃO à opressão e ao conformismo do trabalho

 

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Pesquisador e Divulgador de História, Ciências Humanas, Arte, cultura e tecnologia, Indústria e Produção Cultural

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