Todo o pouco que a midia apresentou
sobre as mulheres
e tudo o que a Biboka tem em acervo.
Hoje 12.3 a TV Cultura apresenta um especial sobre Dercy Gonçalves às 20h e o programa “Provocações” entrevista a atriz Marisa Orth às 22h. E a TV Brasil canal 62 reapresenta o filme “Amélia”, de Ana Carolina Soares, sobre uma das visitas da cantora francesa Sarah Bernardt ao Rio de Janeiro no Sec XIX as 22:30h. O filme é muito interessante porque, além de falar de um dos maiores sucessos femininos do Século XIX, demonstra a vida das mulheres mais pobres do Rio de Janeiro do Século XIX
A parca atenção dada pela midia ao significado histórico do Dia da Mulher demonstra muito mais do que simples “alienação” , “machismo” e meras acusações antiquadas. Se ao menos a mídia tivesse feito longas reportagens sobre “Como presentear ou tratar a mulher em seu dia” – como é tipico do atual jornalismo, incluindo os estatais - poderiamos ao menos se falar em “alienação” etc. Mas nem foi o caso. Tal “miséria” seria resultado de “preguiça mental” e teórica mesmo (de jornalistas e produtores culturais) ou consequência da altíssima e cada vez maior “bu(rr)ocratização das mídias e da industria cultural? Automatizando um sistema de fechamento de pautas e planejamentos a partir do mais “normal” rápido e simples possivel ?
Ao meu ver tal “preguiça” em apresentar alguma coisa mais elaborada e educativa é uma clara resultante dessa lamentável e estúpida concepção de eficiência, baseada na economia de custos e tempo, na reciclagem e no reaproveitamento (que em mídia nada mais é que repetição ou edição com cortes). Sempre aproveitando o que já tem. Nada de “passar o tempo” pensando ou “sendo negativo” (como todos dizem).
Só os jornais apresentaram minúsculas reflexões históricas mais profundas, praticamente sem nenhum destaque (como veremos a frente). Rádios e TV´s preferiram apresentar programas “Especiais” e entrevistas com “históricas” mulheres carismáticas que conseguiram “surfar” durante a complicada “Era dos Homens” rsrsrs. Mas sempre (re)aproveitando o “acervo”. Ah! E mesmo assim só as estatais. As privadas só ficaram mesmo nos jornais: a “cobertura” das “merrecas” comemorações do dia e a repetição e edição (corte) das matérias das agências internacionais.
Diante de quase só merreca, só as estatais (re)aproveitaram melhor e fizeram algo mais digno, embora também muito pouco pra um “Centenario” (no caso, centenario da proposta de criação do “Dia Internacional das Mulheres” por uma líder de um congresso de mulheres comunistas e não de um incêndio com grevistas–VEJA MATÉRIA ABAIXO/ANTERIOR).
A TV Cultura é que (re)apresentou mais: No dia 8 mesmo, foi ao ar o Roda Viva entrevistando a atriz Eva Wilma que contou um pouco da rica história da industria cultural no país (e que foi reapresentado pela TV Brasil). Além dos especiais com Elis Regina, Elizeth Cardoso, Niède Guidon, Cassia Eller (sabado 13), a série “Brasileiros e Brasileiras” com Ruth Escobar e Dercy Gonçalves; uma série das “Provocações” do Abujanra, com Luiza Erundina (5/3), Marisa Orth (sexta 12/3), e na próxima semana com a cinéfila Alessandra Meleiro (19/3), e com a fotógrafa Maureen Bisilliat e sua filha Sophia Bisilliat (26/3).
Mas o melhor dessa (re)apresentação foram os documentários “O Piauí de Niede Guidon” sobre a famosa arqueóloga, conta sua história com a luta pela criação do Parque Nacional da Serra da Capivara e da arqueologia no mundo. Logo depois a TV Cultura exibe ao menos 1 episódio da série “Sexo Forte”, organizada pela TVE inglesa (“Television Trust for the Environment”) com histórias de mulheres que, com trabalho e idéias, geram algum progresso social. Mas o mais interessante é o inédito especial Cultura “Julieta é Bárbara”, que contou a história da poetisa e pintora paulista Julieta Bárbara, que viveu momentos históricos ao lado de Oswald de Andrade e Mário Schenberg.
Hoje, sexta (12/3) será reapresentada a biografia “Dercy por Dercy, e Por Alguns Amigos”, às 20h e a entrevista do “Provocações” com Marisa Orth, às 22h. E no sabado às 20hs a edição do “especial Cássia Eller”. Nas outras duas sextas feiras (19 e 26/3), às 22ha, teremos o “Provocações”, com Alessandra Meleiro e com Maureen e Sophia Bisilliat.
Também a TV Brasil apresentou alguns especiais, como o programa “Mama África” com um documentário sobre as mulheres da Mauritânia falando sobre suas relações com os homens, uma entrevista com a economista petista Conceição Tavares , e a reapresentação do filme “Amélia”, de Ana Carolina Soares, sobre uma das visitas da cantora francesa Sarah Bernardt ao Rio de Janeiro no Sec XIX. O filme é muito interessante porque, além de falar de um dos maiores sucessos femininos do Século XIX, demonstra a vida das mulheres mais pobres do Rio de Janeiro do Século XIX
SÓ OS JORNAIS (e olhe lá!)
As outras TV´s limitaram-se a apresentar algumas parcas reportagens nos jornais sobre a condição da mulher e alguns “protestos” no mundo compradas de agências internacionais, “freelas” ou recebidas já prontas de Assessorias.E das rádios só as radios Nova Brasil e Cultura 1 apresentaram um programa especial dedicado ao Dia Internacional da Mulher, além de diversas rádios regionais como a Nativa FM de Imperatriz e outras.
A Folha de São Paulo apresentou um reportagens e entrevistas assim como o Estadão. O Suplemento Feminino do Estadão ao menos apresentou uma edição especial sobre o tema com reportagens sobre as missionárias do governo paulista que visitam as casas de famílias mais carentes para ouvi-las, orientar e tentar discipliná-las, com entrevistas com vários homens famosos e de sucesso sobre o que eles acham das mulheres hoje, e uma reportagem sobre os papeis de mulheres e homens dentro de casa hoje. O que salvou mesmo fou um ótimo texto da Mary Del Priori falando que após mais de um século a mulher continua submissa e que a submissão atual é ao modelo de beleza e juventude imposto pela mídia. E pelos homens também segundo ela que desejam isso (com o que não concordo, porque a maioria despreza totalmente ao que eles dizem.
TUDO O QUE A BIBOKA TEM: (sobre mulheres)
Além dos programas e filmes colocados acima, temos disponível para voce que quer docs sobre as lutas femininas:
-Varios documentários de duas séries sobre mulheres: “Sexo Forte” e “Mulheres: da retórica à realidade”, da UNESCO. Ambas já passadas na TV Cultura. Da serie “Mulheres: da retórica à realidade” temos os docs: “Caribe: mulheres no topo”, mulheres da TV Áustria, das ilhas Fiji, etc. E da série “Sexo Forte”, temos pequenos docs sobre as situações das mulheres na Bósnia, Lituânia, Casaquistão, Quênia, Gana, Bangladesh, Jamaica, Macedonia, Filipinas, Mexico, Paquistão, India, Afeganistãoa, França, Japão, Italia e Brasil;
- Temos os documentários “Raimunda a Quebradeira” de Marcelo Silva, sobre a histórica líder das quebradeiras de coco do “Bico do Papagaio” no sul do Pará; o doc “Mulheres em Movimento” feito por Maria Maia para a TV Senado. ; o doc biográfico sobre as lideres ambientalistas Marina Silva, Judith Cortesão e a gaucha Thais Corral; sobre as intelectuais Ruth Cardoso; Zelia Gattai, sobre Dona Canô, mãe de Caetano e Maria Bethânia, e lider comunitaria de Santo Amaro –BA;
- Temos os documentarios mexicanos “Historia de las mujeres en LatinoAmerica” apresen tada por Jaime Ginzburg; e “Mujeres del Mexico”; o documentário “Damas de ferro na Libéria” da serie “Porque Democracia” que explica porque as mulheres lideram a política nesse único pais africano, com uma presidente mulher; o Roda Viva especial com a escritora africana e muculmana Ayann Irsi Ali que desafiou as duras leis muçulmanas e hoje é refugiada nos EUA;
- Também temos duas conferências ou aulas da CPFL Cultura com especialistas: uma de Maria Lygia Quartim de Morais (“Mulheres antes e depois de 1968”) e outra da prof Maria Filomena Gregory (“Mulheres no Sex Shop”),
- Várias reportagens sobre a condição da mulher negra - uma entrevista com Leci Brandão sobre mulheres negras no Brasil, e o filme “Antônia” de Tata Amaral sobre a vida de 4 jovens negras faveladas que tentam a carreira artística.
- documentários feito sobre mulheres só conhecidas localmente como Dona Nenê(“No passo da véia” muito bom!), Julia Mendonça(100 anos), professora Saturnina (105anos), a ajornaleira Cleide Santos, Mamae Noel, professora Solange, Tatiana funkeira, e muitas outras
- Além de varias reportagens sobre mulheres islâmicas, sobre a Lei islâmica da “Sharia”, mulheres chinesas, sobre a mulher hoje no Brasil, sobre a questão do aborto, sobre Irmã Dulce, mulheres taxistas,.. sobre o assassinato de Benazir Buttho, com uma entrevista com a Maria Aparecida de Aquino sobre sua história; sobre um homem que tem 11 esposas (de vários países) e 80 filhos nos Emirados Àrabes Unidos;
- E uma série de reportagens sobre mulheres artistas famosas como Tina Turner, Elizeth Cardoso, Dercy Gonçalves, Cris Vianna, Dona Canô, Cassia Eller, a atriz e jornalista Cidinha Campos ja falecida, e outras “Grandes Cantoras Brasileiras”, etc.
A Biboka possui INUMEROS filmes, livros, fotos, textos e músicas (como as marchinhas de carvaval desde o “Abre alas” de Chiquinha Gonzaga de 1890 ao fim do Século XX várias racistas e machistas) sobre a história das conquistas femininas em mais de um século. Claro que o maior material, é sobre as mulheres de hoje e suas condições – que é só o que a mídia apresenta. Temos muita coisa principalmente sobre as mulheres africanas, asiáticas e do oriente médio. Veja alguns exemplos na materia ACIMA.
Se lhe interessa adquirir, consulte-nos!
Arney Barcelos (histusp@gmail.com )

