A paranóia criada pela imprensa brasileira no caso Nardoni, foi debatida hoje pelo Observatório da Imprensa da forma bastante interessante e aprofundada. E nós temos a cópia caso alguem precise para aulas. Essa paranóia midiática – não existe termo melhor que esse - TEM precedentes SIM. Eles repetiram, ao menos no clima, julgamentos que sabemos como foram detalhados pelos historiadores na Grécia e Roma antigas e na Era Medieval (ou pelo menos a interpretação deles) por pura e simples competição entre eles SEM PENSAR UM MINIMO na imensa neurose popular que irresponsavelmente criaram. Uma pista minuscula de como foi criada a paranóia nazista por exemplo.
Por isso, através desses shows e ENORME GASTAÇÂO DE TEMPO da midia, pra tentar segurar audiência (que aliás é incapaz de fundamenta-se em coisa mais real do que os míseros e NADA representativos dados do Ibope e não na “verdade”) é possível demonstrar algumas diferenças entre Antiguidade, Medieval e a atual era Moderna (e a enorme era entre essas duas últimas, que nunca foi reconhecida). Nós da Biboka, temos gravados vários momentos desse show.E também o debate do Observatório da Imprensa sobre o caso
Impossível não se referir ou negar a existência de uma “sociedade do espetáculo” à la Guy Debord. Só que nossa sociedade é muito mais complexa, ampla e profunda do que o simples desenvolvimento das teorias marxistas elaborado por Debord. Uma teoria não descartável, mas que hoje tornou-se uma camisa de força que nada acrescenta ao conhecimento humano. (Por exemplo: a gigantesca militancia pela condenação do casal Nardoni seria fruto da “alienação imposta pela burguesia”??? Como é possível afirmar isso hoje em que essas 3 palavras não significam a mesma coisa que há 60 anos anos atras?)
As descrições e interpretações de historiadores muitos famosos sobre os julgamentos na História já é uma bela tradição nesse campo de estudo. A começar mesmo pelos julgamentos do Antigo Oriente, descritos em pedras, papiros e táboas, como na Biblia, de grandes lideres como Buda, Sócrates e de Cristo, e as descrições de Tulcidides, dos julgamentos da Grecia Antiga. Ou os julgamentos de ROMA que conhecemos e que são a base de nossa justiça atual. (As diferenças entre os julgamentos de generais, senadores e funcionários de elite corruptos e os de escravos, soldados, gladiadores e estrangeiros estão vastamente registradas nas Actas e extensos registros da justiça romana.)
Claro que nem todos envolveram vasto público, mas grande parte dos mais famosos e de gente com certa autoridade, arrastava enorme quantidade de pessoas que geralmente eram consultadas ou solicitados a interferir nas decisões. Só a própria presença do enorme público já interferia totalmente nas condenações.
Mas é na era Medieval que há uma enorme fartura de descrições de julgamentos. Sobretudo os julgamentos sob a égide da Igreja que herdou o Imperio e todos os seus estados aliados, como o de Carlos Magno, Ricardo III e outros. Grande parte deles eram de judeus ou “bárbaros”. E isso sem falar em todos os julgamentos da inquisição, largamente estudados e divulgados por historiadores e pela midia. Basta ver os principais livros de Marc Bloch, Lucien Febvre, Jacques Le Goff, Fernand Braudel, Carlo Ginzburg e centenas de outros.

VIGIAR E PUNIR e a “Sociedade Disciplinar”
Se até o início do Seculo XX poderíamos falar numa certa “autonomia” ou auto preservação das classes mais baixas – que impunham seus valores culturais, religiosos e étnicos locais em resistência às imposições de nobres e burgueses – como o caso de judeus, ciganos, camponeses, etc, – da guerra fria até hoje da-se um “ascenso” ou uma construção crescente de uma sociedade fundada nos valores liberais, burgueses, individualistas e competitivos, sobretudo pelas classes mais baixas e por vontade consciente dos “pobres”. E isso não só no Ocidente modernizado, mas sobretudo nas áreas mais pobres e miseráveis do mundo – como na America e África.
Hoje, nessa sociedade em que vivemos, há uma luta militante, levada justamente pelos mais pobres, por uma sociedade que garanta e fortaleça a individualidade quase absoluta, a crescente competição entre as pessoas (como se fosse uma coisa boa), a liberdade total de consumo, de imprensa e do mercado de trabalho, a diferença de qualidade de vida entre os “mais” e os “menos capazes”, a proliferação e a “beleza” de comportamentos violentos, mal educados, agressivos e o orgulho pelo ódio e pelo ataque à categorias identitárias já constantemente estigmatizados como doentes mentais, idosos, mendigos, cadeirantes, homossexuais, etc. E isso tudo, em detrimento de uma sociedade solidária, de valorização da Cultura em seus diferentes tipos, características e qualidades, e de qualquer “melhoramento” das condições sociais que implique em responsabilidades e obrigações (sejam pessoais ou coletivas). (Claaaro que há muitas pessoas que são excessões. Mas é a mais absoluta minoria).
Poderíamos até dizer que foram as industrias culturais “burguesas” as grandes responsáveis por essa “alienação” ou melhor dizendo: pela formação de uma sociedade de massas” alienadas transformadas em “exercitos de trabalhadores” lutando pela manutenção e fortalecimento de uma sociedade “burguesa” que valoriza e premia as elites mais ricas contra sua própria construção.
Mas além de podermos demonstrar inúmeros comportamentos e movimentos não organizados contra esse tipo de sociedade, defendidos por empresários, trabalhadores, liberais e praticamente toda a mídia e a maior parte da população, e apontarmos inúmeros movimentos que contrariam tal concepção é nosso dever questionar: a sociedade é realmente assim? Uma disciplinarização determinada de cima para baixo?
Ou ao contrario, a sociedade moderna é uma sociedade de absoluta e cada vez maior vigilância e disciplinarização militante de todos contra todos – sobretudo dos mais pobres contra os outros pobres, fortalecendo os “melhores” - em milhares de formas de “votos” - e de uma dura guerra surda não só pela punição, mas também pela expulsão, exclusão, tortura, destruição, e se for possível explosão e aniquilamento do seu “igual” do seu “irmão” que, muitas vezes sem querer, por puro descuido, DEIXOU de obedecer às normas de comportamento (que antigamente eram os comportamentos da antiga classe burguesa)?
Tipo: Não acredita em Deus? É “pessimista”? Não tomou banho? É chato? Não usou calcinha ou sutiã? Andou descalço? Olhou de determinada forma? Não falou bom dia? Fica suado? Tem depressão? Então meu filho. Infelizmente foda-se e DESAPAREÇA!
MAS PORQUE ESSE CASO????
Centenas de explicações diferentes já foram dadas para tal explosão (como foram vários outros casos de assassinatos de crianças como Carlinhos, João Helio, a menina Madeleine, e outros como o de Daniela Perez, da adolescente Eloá , do jornalista Pimenta Neves, etc.) Na mesma compreensão marxista, a maioria das pessoas atribui a explosão desse caso ao fato do casal Nardoni ser “rico” (embora estejam bem longe de qualquer classe A ou “dominante”). Outros atribuem essa explosão à extrema violência com que Alexandre Nardoni matou sua filha (embora é essencial concordar que as provas periciais não conseguiram chegar a um autor do crime e só apontaram indícios, alguns fortes, da culpa do casal)
Mas as verdadeiras causas dessa explosão na mídia até agora não foram apontadas por ninguém. Ao meu ver é claro que, de um lado, tal explosão foi provocada, sem querer ou consciência, pelo próprio casal Nardoni ao não assumir a autoria do crime e a reagir e lutar desesperadamente contra a pré condenação deles pela perícia, pela midia e povo. Se Alexandre tivesse assumido o crime, ele praticamente DESAPARECERIA da mídia e talvez pegasse menos anos.
De outro, ela foi determinada principalmente pela mídia que, em conjunto, BOMBARDEOU e MASSACROU a população com ultra repetições de repetições de edições e re-edições de imagens, excesso de bla bla bla e de informações sempre repetidas à la propaganda nazista. UNICA E EXCLUSIVAMENTE PELA CORRIDA DE NUMEROS DO IBOPE!!!
Nossa midia demonstra assim um baixíssimo nível de responsabilidade com o bem estar social e em construir um mundo mais solidário e – muito mais do que a propria sociedade, fortalece a concepção altamente discriminatória e violenta, do “Deus deu a vida pra cada um cuidar da sua” ou do “cada um no seu quadrado” e todos contra todos”.
Uma sociedade mais feliz e solidária só é possivel SEM a acirradíssima competição que vivemos, com a ultra premiação de alguns e a imposição de um violento desprezo e exclusão sobre pessoas que lutam - e muito – por seu espaço e pela melhoria de sua familia e seu cotidiano
AH! E CUIDADO COM CARA DE DOIDÃO HEIM!!!!

